Qual é a relação entre o uso de esteroides anabólicos androgênicos e a doença arterial coronariana?
Qual é a relação entre o uso de esteroides anabólicos androgênicos e a doença arterial coronariana?

30/01/2024, 19:41 • Atualizado em 09/02/2024, 16:27

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Popularmente conhecidos como anabolizantes, os esteroides anabólicos androgênicos (EAA) podem causar alterações no sistema cardiovascular. Um estudo recente investiga a relação entre o uso de EAA e o desenvolvimento de doença arterial coronariana por inflamação sistêmica e da artéria coronária.

O artigo Inflamação Coronária Avaliada pela Atenuação de Gordura Pericoronária na Tomografia Computadorizada e Elevação de Citocinas em Usuários Jovens de Esteroides Anabólicos Androgênicos, divulgado na ABC Cardiol, publicação mensal da Sociedade Brasileira de Cardiologia, avalia a inflamação por meio dos níveis de atenuação de gordura pericoronária média (AGPm) em usuários e não usuários de EAA.

Três grupos foram definidos para a análise, que contou com um total de 50 pessoas. 20 usuários de EAA (UEAA), 20 não usuários de EAA (NUEAA) e um grupo controle (CS) de 10 homens sedentários sem doença cardiovascular. Todos os incluídos nos dois primeiros grupos eram levantadores de peso ou fisiculturistas e foram recrutados de academias. 

“O grupo UEAA apresentou maior atenuação de gordura perivascular na artéria coronária direita (CD) e na artéria descendente anterior esquerda (DA) em comparação aos grupos não usuários de EAA e sedentários”, diz Francis Ribeiro de Souza, autor do artigo. Os valores de AGPm na artéria circunflexa não foram diferentes entre os grupos.

Além da análise da medida da AGPm em três diferentes artérias, níveis de interleucina 1 (IL-1), IL-6, IL-10 e fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa) também foram avaliados com base na leitura da densidade ótica (DO) em um espectrofotômetro com um filtro de 450 nm.

“As amostras de sangue foram coletadas pela manhã, entre 8h e 10h, após 12 horas de jejum e 30 minutos de repouso. Kits de ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA) foram usados para medir IL-1, IL-6, IL-10 e TNF-alfa”, explica Francis.

O grupo UEAA apresentou níveis elevados de interleucina 1, interleucina 6 e interleucina 10 em comparação ao grupo de não usuários e ao grupo controle. Já a TNF-alfa, assim como a AGPm na artéria circunflexa, não apresentou alterações significativas entre os grupos.

O artigo trata de uma análise secundária, com delineamento transversal, de uma pesquisa prévia que constatou como o uso abusivo de EAA poderia estar relacionado a uma maior atenuação de gordura perivascular e doença arterial coronariana precoce. Esse primeiro estudo foi publicado em 2019 e é citado no presente material.

“Os mecanismos envolvidos na atenuação de gordura pericoronária estavam fora do escopo do nosso estudo. A correlação observada deve ser interpretada com cuidado e o mecanismo de atenuação de gordura pericoronária deve ser abordado em estudos futuros”, alerta Francis.

O autor do artigo acredita que o estudo, um dos primeiros a medir a AGPm para associar a presença de inflamação das coronárias com DAC, pode nortear futuras investigações (principalmente em relação à técnica utilizada). 

“Um exemplo de usabilidade é a utilização dessa técnica como rastreamento precoce de inflamação de coronárias em crianças e adolescentes com genes positivos para hipercolesterolemia familiar (HF)”, sugere Francis.

Os resultados indicam que a atenuação de gordura pericoronária, medida por angiotomografia coronária, pode ser usada para avaliar a carga de inflamação coronária – e, assim, analisar o risco cardiovascular dessa população específica antes mesmo do surgimento da doença arterial coronariana obstrutiva. É um ponto de partida para futuras investigações e profissionais que trabalham com a população usuária de EAA.

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