Confira dados e condutas atualizados para Miocardiopatias Tóxicas
Confira dados e condutas atualizados para Miocardiopatias Tóxicas

30/01/2024, 19:37 • Atualizado em 09/02/2024, 18:43

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Um estudo recente na ABC Heart Failure, publicação do Departamento de Insuficiência Cardíaca da SBC, investiga três formas de miocardiopatias tóxicas: secundária ao alcoolismo, às anfetaminas e aos esteroides anabolizantes (EA).

Trata-se do artigo Toxic Cardiomyopathies: Alcohol, Amphetamines, and Anabolic Steroids, revisão que aborda epidemiologia, fisiopatologia, prognóstico e tratamento (e, com relação à miocardiopatia alcoólica, dois casos clínicos).

“A cardiomiopatia alcoólica é conhecida de longa data. Mais recentemente, vem aumentando a incidência de cardiomiopatia por anfetaminas e anabolizantes”, diz Humberto Villacorta, autor do artigo.

A miocardiopatia alcoólica (MCPa) foi inicialmente descrita em 1877. Enquanto isso, Willian Mackenzie criou o termo “doença cardíaca alcoólica” em 1902. 

Segundo dados epidemiológicos, a MCPa é considerada uma das principais etiologias não isquêmicas de insuficiência cardíaca no mundo ocidental. 

O artigo discute esses dados e traz levantamentos recentes. A relação dos benefícios versus malefícios do álcool sobre o sistema cardiovascular e os efeitos da ingestão da substância também são abordados.

No caso das anfetaminas, estima-se que 34 milhões de pessoas usaram a substância em 2020, um total de 0,7% da população global. A metanfetamina é a anfetamina mais consumida nos Estados Unidos. Em abusadores da substância, as complicações cardiovasculares são as principais causas de morte.

Nesse contexto, a incidência de cardiopatia induzida por metanfetamina aumentou de 1,8% para 5,6% nos últimos anos (acometendo, em sua maioria, pacientes jovens e do sexo masculino).

Os esteroides anabolizantes (EA) e outras formas sintéticas da testosterona começaram a ser usadas entre 1940 e 1950 por atletas. Dados atuais mostram que o uso de EA não está restrito aos de alto rendimento.

No Brasil, um estudo revelou que a prevalência do uso de EA pode variar de 2,1% a 31,6% (a depender da coorte estudada), sendo esses números mais altos obtidos em pesquisa realizada com estudantes e professores de educação física.

“O comprometimento do coração, a respeito das cardiomiopatias induzidas por essas substâncias, se manifesta por sintomas de insuficiência cardíaca, como falta de ar e inchaço nas pernas. Casos iniciais podem ainda não ter sintomas e a doença ser detectada por aumento e fraqueza do coração no ecocardiograma”, explica Humberto.

Humberto ressalta que é fundamental interromper o uso da substância, seja ela qual for, no tratamento das cardiomiopatias (que envolvem remédios e condutas já estabelecidas, também detalhadas no artigo). Ele sugere que um estudo genético possa ser de bom uso para identificar indivíduos propensos a ter complicações cardíacas, já que existem algumas pesquisas sobre isso em cardiomiopatia alcoólica.

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